Adoção, Convivência

Férias e o aumento dos casos de abandono de cães

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“As crianças da família não paravam de pedir um cãozinho até que o Papai Noel trouxe um lindo cachorrinho para fazer parte da família.

A alegria era contagiante, as crianças amaram o novo amigo e só queriam brincar com ele, nem ligaram para os brinquedos que ganharam no Natal.

Durante o ano eles brincaram muito, mas a parte “trabalhosa” de ter um pet sobrou para seus pais: recolher cocô, limpar a casa, tentar ensinar o cachorro a fazer suas necessidades no lugar certo, alimentar, sair para passear, além de todos os custos que envolve ter um cão em casa.

Chegando as sonhadas férias, passagens aéreas compradas, hotel reservado, praia paradisíaca no Nordeste. Todos já com as malas prontas, ansiosos com a viagem.

Mas só tem um problema: esqueceram do Nemo, o cachorrinho da família. Quem vai cuidar do Nemo? Onde vamos deixar o Nemo? Quem vai alimentar o Nemo? Quanto vamos gastar para deixar o Nemo em algum lugar?

Essas perguntas só foram feitas na véspera da viagem, pois nem o pai nem a mãe lembraram que o cachorro não pode ficar sozinho.

Então começou a correria para tentar achar alguém que cuidasse do cachorro. Não havia ninguém disponível. Pensaram em deixar ele sozinho em casa, afinal seria apenas uma semana, mas descartaram a opção pois ele sujaria toda a lavanderia.

O um pethotel era muito caro, “ora pagar para alguém cuidar de um cachorro”, os amigos e parentes estavam em férias ou com outros compromissos.

Então o pai, já irritado e pressionado pela esposa, quis resolver todos os problemas de uma vez só: pegou o Nemo, com a promessa de deixa-lo num pethotel e saiu arrastando o cachorrinho pela guia, mal dando tempo para as crianças se despedirem do amigão.

Ao entrar no carro, jogou o cachorrinho no banco de trás, sem a preocupação de prende-lo no cinto de segurança e rodou mais de 40km até encontrar um abrigo. Era tarde da noite e não havia ninguém por perto.

Não pensou duas vezes e tirou o cão de dentro do carro, colocou seus brinquedos no chão, seu pote com comida e água. Não se deu ao trabalho de fazer um carinho ou despedir-se. Simplesmente entrou no carro e foi embora.

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Nemo latiu, mas como era ainda um filhote, não sabia o que fazer. Ficou deitado na cobertinha, com a patinha em cima do seu Scooby de pelúcia, com olhar triste. E teve medo do escuro da rua, teve medo dos barulhos que ouvia. Sentia falta da cama macia das crianças.

Ao voltar para casa, o pai foi questionado pela mãe sobre o cachorro, pois as crianças ficaram chorando. Ele se limitou a dizer que resolveu o problema. Nemo estava ficaria bem cuidado nas férias.

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Depois de uma semana, na volta para casa, reuniu a família para dizer que Nemo tinha fugido da casa do amigo que se ofereceu para cuidar do cachorro durante as férias. E que estava indignado com tamanha falta de responsabilidade dessa pessoa.

As crianças começaram a chorar, pedindo que o pai fosse procurar o cãozinho: temos que colocar cartazes por ai.

O pai, resolveu distrair as crianças levando-as no shopping e comprando muitos brinquedos naquele dia.”

Esta é uma ficção, mas existem muitos “Nemos” que são abandonados todos os dias em todo o Brasil.

Nas redes sociais nos sensibilizamos assistindo vídeos com cenas de abandono. E o sofrimento do animalzinho ao ser deixado para trás.

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Esta é uma atitude de extrema crueldade, pois o cãozinho foi acostumado a ter o convívio, alimento, amizade, carinho por crianças que o amavam. É cruel com o pet e com as crianças.

Alguns como nosso personagem da história teve a sorte de ser encontrado e protegido antes de passar fome ou ser atropelado.

No mais, abandonar um animal é crime, conforme o artigo do Código Ambiental:

“Artigo 32 da Lei Federal nº. 9.605/98

É considerado crime praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, doméstico ou domesticados, nativos ou exóticos.

Pena – Detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano e multa.

Parágrafo 1°. – Incorre nas mesmas Penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animais vivos, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

Parágrafo 2°. – A Pena é aumentada de 1 (um) terço a 1(um) sexto, se ocorrer a morte do(s) animal(s).”

Os atos de maus-tratos e crueldades mais comuns são:

  • abandono;
  • manter animal preso por muito tempo sem comida e contato com seus donos/responsáveis;
  • deixar animal em lugar impróprio e anti-higiênico;
  • envenenamento;
  • agressão física, covarde e exagerada;
  • mutilação;
  • utilizar animal em shows, apresentações ou trabalho que possa lhe causar pânico e sofrimento;
  • não procurar um veterinário se o animal estiver doente;

Como denunciar:

Se você presenciar uma cena de abandono, procure fotografar ou filmar o crime, o responsável, carro, placa, local onde aconteceu, o animalzinho. Tudo que você conseguir pode auxiliar a condenar o criminoso.

Outra informação importante: Você não será o autor da denúncia. O processo é aberto a pedido do delegado e o autor será o Estado.

O Decreto 24.645/34 diz, em seu artigo 1° e 2º (parágrafo 3°):

1. “Todos os animais existentes no País são tutelados pelo Estado”;
2. “Os animais serão assistidos em juízo pelos representantes do Ministério Publico, seus substitutos legais e pelos membros das Sociedades Protetoras dos Animais”

O mesmo vale para maus-tratos: filme e chame a policia.

Nossa dica:

Pense muito antes de adotar um bichinho de estimação para seus filhos. Eles não são descartáveis, tem sentimentos e por serem domesticados, precisam de carinho, proteção e alimentação.

Se não gosta ou não tem condições de cuidar, é simples: não adote, muito menos compre um bichinho.

Mas você está perdendo a oportunidade de conhecer o amor mais verdadeiro deste mundo, e a chance de ser transformado por todo este amor.

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